LUÍSA DEMETRIO

Coração em fúria

 

Bramem os astros. O germinar. A margem entre a margem e da qual brotam veios e princípios carnudos sobre um chão revolto que alarga e derrama no peito o  cheiro silvo, a visão onde, incertos, ressurgem caminhos nervudos que ao campo leira e abre auréola a compasso e em gâmbias escassamente robustas ao Sol. É o lado espontâneo do vermelho possança. É o grito nórico da terra rumo ao céu primordial. A criação sob o escarlate inumerável capturado à carne que em fluído degola e lento abrasa a profundez e o lugar incerto. A ira é a manobra grotesca, o abuso que mais se destaca do meu vocabulário entre as assimetrias temperamentais das quais sou constituída inteiramente. Largas as linhas e a esferas ardem, sangram os pensamentos na agitação que do cativeiro irrompe às minhas mãos sacerdotais, porque eu sou a sacerdotisa.

A menarquia, um estado selvagem, um terramoto libertando-me de tudo o que não é alma. A solidão tornou-me infinitamente impenetrável. Os outros, sinónimo de invasão e barulho. Escrita é anonimato, dedicação, e, ao contrario do que muitos pensam, o sucesso estimula sempre a recuar, a trair. A glória é sempre prenúncio da nossa própria morte."

 

O LIVRO DA PAPOULA.  Edição LIVROS ONTEM,  2016.

PÁXINA 16

 

páxina impar vinculada ANA MARIA OLIVEIRA

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