LUÍS MAZÁS LÓPEZ

 

As pessoas existem diluídas

no asfalto molhado   

Escuto apenas a música da chuva

e olho para o mar aguardando

uma resposta que não existe

 

Tenho frio

quarta feira gris de novembro

Tu acompanhas-me nesta solidão

que penetra nos ossos

 

O teu passo miúdo,

os teus olhos azuis de criança,

as tuas pegadas

acalmam a tempestade

desta terra em desassossego

 

Escutamos ao longe as palavras dos indefensos

as queixas das mulheres maltratadas

as ladainhas dos excluídos

 

Escutamos a sua voz quase imperceptível

e nós prosseguimos a caminhar

aguardando o verão que não chega