LORETO DE CASTRO

Deixam-me mensagens

cheias de plumas brancas.

Ficam ao meu carom 

incluso quando renego,

quando abandono a fé.

Voluteiam ao meu redor 

para que saiba 

que nom estou soa.

Se nom fora por eles 

ficaria na dor, na culpa.

Às vezes sinto os seus 

alouminhos.

Eles, como o pai

aprendem-me o amor

incondicional,

o amor livre dum ser humano 

a outro.

Eles amam, 

nom julgam

Gostam de que amemos

os montes, as fragas,

o litoral e o vento.

Anelam que defendamos

a dignidade do nosso povo

que sigamos a ser o povo

que cuida a terra,

que cuida o mar,

que cuida a língua.

O povo que nom se vende,

o povo que luita 

por uma vida sustentável,

em comunhom

com a natureza.

Com os valores de guardar

e amar o próprio,

a cultura, as tradizons.

O povo que valora o seu passado.

O povo criativo que imagina.

O povo que se alvisca no porvir.