GUIDO CAVALCANTI

 

CHI È QUESTA QUE VEN, CH´OGN´OM LA MIRA

 

CHI è questa che ven, ch’ogn’om la mira,

E fa tremar di claritate l’a’ re,

E mena seco Amor, sì che parlare

Omo non pùo, ma ciascun ne sospira?

Deh! che rassembla quando li occhi gira,

Dical Amor, ch’i’ nol porria contare:

Cotanto d’umiltà donna mi pare,

Ch’ogn’altra veramente la chiam’ ira.

Non si porria contar la sua piagenza,

Ch’a lei s’inchina ogni gentil vertute,

E la beltate per suo Dio la mostra.

Non fu sì alta già la mente nostra,

E non si posa in noi tanta salute

Che propriamente n’abbiam conoscenza.

 

QUEM É AQUELA QUE VEM, QUE A GENTE MIRA

 

QUEM é aquela que vem, que a gente mira,

E faz à própria claridade tremar,

E leva Amor com ela, sem que falar

O homem deva, embora cada qual suspira?

Ei! que remonta quando ela os olhos gira,

Diga Amor!, isso não posso contar:

Acho-a mulher de humildade sem par,

Que a qualquer outra dama chama à ira.

Não se inquire contar a sua beldade,

Que para ela se dirige a castidade,

E a fermosura para seu Deus revela.

Para a mente a sua altura é isenta,

E com tanta saúde a nós se apresenta

Que certamente o próprio juízo vela.

 

Tradução ao galego de:

ANDRÉ DA PONTE

 

Segundo a edição Guido Cavalcanti. Rime. A cura di Ercole Rivalta. Bolonha, Zanichelli, 1902, p. 108.