ANDRÉ DA PONTE

SONETO DE LONGE

 

No teu rosto de mulher adormecida

A delicada quimera se apressura

E baixo do lençol e a sua brancura

Sente-se respirar o viço da vida.

 

Sonhas, talvez, uma noite esclarecida?

Ou, quiçá, cheia de imagens de loucura

Abraças, com furor, a noitada escura

E a consideras vir na tua atrevida

 

Mão delicada que ao sonhar se aferra?

Os meus olhos te contemplam afastado

Do teu leito, bem longe da tua terra

 

E observo no teu perfil, de anos gastado,

Que as tuas fantasias a vida emperra

E chamas por um amor que está postado.

 

(Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021).