ESTER DE SOUSA E SÁ

 

ALMA PEREGRINA

 

Em voos largos minha Alma peregrina viaja,

por montes e vales cultivados de vinhas Alvarinho.

Ai! O néctar de Baco,

há muito colhido e guardado,

como manda a lei,

à mesa do povo de grei será apreciado!

 

 

As vinhas tristes, despidas da coroa de glória cíclica

resignadamente aguardam em terra fria

o renascer, o alvorecer,

o despertar na lisonja da saudade.

Chegará na primavera a esperança,

novo ciclo de vida!

 

 

Cinzelada de granito puro me espreita e acena,

entre arvoredo endémico a ponte romana em Filla Boa,

sobranceira ao afluente do rio Minho fluindo.

Casario talhado em pedra dura de granito resiste ao tempo,

espalhado entre os vinhedos e pomares nos saúdam,

raios de sol quente partilhados aquecem manhã fria.

 

 

Sacio os olhos nesta paleta mágica de matizes Outonais,

natureza pintada de castanhos e dourados tais,

enchem meu peito de amor e soberbo feitiço.

Como me soube bem este passeio este devaneio.

Esta celebração do vinho borbulhoso,

em terras nobres da Galiza!