BERTOLT BRECHT

 

ERINNERUNG AN DIE MARIE A.

1

 

 

An jenem Tag im blauen Mond September

Still unter einem jungen Pflaumenbaum

Da hielt ich sie, die stille bleiche Liebe

In meinem Arm wie einen holden Traum.

Und über uns im schönen Sommerhimmel

War eine Wolke, die ich lange sah

Sie war sehr weiß und ungeheuer oben

Und als ich aufsah, war sie nimmer da.

 

2

 

Seit jenem Tag sind viele, viele Monde

Geschwommen still hinunter und vorbei.

Die Pflaumenbäume sind wohl abgehauen

Und fragst du mich, was mit der Liebe sei?

So sag ich dir: ich kann mich nicht erinnern

Und doch, gewiß, ich weiß schon, was du meinst.

Doch ihr Gesicht, das weiß ich wirklich nimmer

Ich weiß nur mehr: ich küßte es dereinst.

 

3

 

Und auch den Kuß, ich hätt ihn längst vergessen

Wenn nicht die Wolke dagewesen wär

Die weiß ich noch und werd ich immer wissen

Sie war sehr weiß und kam von oben her.

Die Pflaumenbäume blühn vielleicht noch immer

Und jene Frau hat jetzt vielleicht das siebte

Kind Doch jene Wolke blühte nur Minuten

Und als ich aufsah, schwand sie schon im Wind.

 

(21.II.20, abends 7h im Zug nach Berlin)

 

LEMBRANÇA DE MARIA A.

 

1

 

Naquele dia na lua azul de setembro

Ainda sob uma ameixeira jovem

Segurei o amor quieto e pálido

Entre os meus braços como um sonho doce.

E sobre nós no lindo céu de verão

Uma nuvem que vi por muito tempo

Era muito branca e tremendamente alta

E quando olhei para cima, já mais não estava.

 

 

2

 

 

Desde esse dia muitas, muitas luas

Flutuaram calmamente e têm passado.

As ameixeiras foram provavelmente arrancadas

E se acaso me perguntas, o que foi daquele amor?

Então eu te digo: não consigo lembrar-me

E, no entanto, certamente, já sei o que queres dizer.

Ainda que o rosto dela, realmente, não lembre

Tudo o que sei agora é que eu beijei-a um dia.

 

 

3

 

E também o beijo teria esquecido há muito tempo

Se aquela nuvem não houvesse estado lá;

Lembro ainda dela e sempre a recordarei,

Era muito branca e vinha de cima,

Pode ser que as ameixeiras ainda floresçam

E que aquela mulher agora tenha o sétimo filho

Mas aquela nuvem só floresceu por alguns minutos

E quando olhei para cima, ela já estava debilitando-se ao vento

 

(21.II.20, à noite 7h no trem para Berlim)

 

Tradução ao galego:

ANDRÉ DA PONTE