ANA MARIA OLIVEIRA

 

Corais de betão

 

Assomam bigornas nos túneis minados das cidades

No escalar das nuvens de algodão amargo de ambiente ácido e hostil

Enquanto os anfíbios criam cenários de engodo e diversão

Que originam fobias nos autómatos invisuais manipulados em rédea curta

Onde só a energia das estrelas poderá alterar o rumo contaminador de corais de betão

 

Caem por terra as tentativas dos jardins suspensos e as hortas nas alturas

O refúgio nas montanhas é austero, mas serve de barreira

Aos parasitas de ventosas açambarcadoras

De flutuantes embarcações em eras de inundações

 

Estão mortos os gigantones corais de betão

O rendilhado das ruas e os atropelamentos geram o pânico e o embaraço

Os pelintras usam esquemas saltando por entre teias umbrosas

Vivem de astúcias argumentativas paupérrimas e sem ética

Vendendo e matando os da sua própria estirpe com pontiagudo aço

 

Nasceram dos cornos de um deus falsário

Mágico sarcástico de fedorenta gastronomia

Assinando convicto e determinado o pacto da antropofagia

Esta semente perversa não tem lugar nem moradia

Chupando sub-reptício a carne e os ossos em aprazível mordomia