Ana Maria Oliveira

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Carreiro estreito

 

No andar a passo o animal majestoso sem sela

Desloca-se pela ravina indomável e livre

De crina macia agitada pela luz ondulante do sol

O cavalo trota agora confiante na destreza ancestral

Apesar do terreno pedregoso levantando poeira

A queda iminente no abismo estreitado pela serrania

É a solidão e a temperança que naquele momento

Em tão difícil passagem a nossa força nos unia

 

A montada a galope desbrava a flora que se verga ao contacto dos cascos

Transporta no dorso o desejo de semear para os que ainda estão por nascer Ultrapassando pesarosas galerias de acesso aos improvisados jazigos

Oscila entre o cume e o agreste desfiladeiro a cavalgada

Ouvem-se os uivos nas encostas e a vigília das feras ansiando o comer

E eu desejando ávida nova realidade pela anunciada madrugada

Quando os estábulos ficam para trás perdendo-se nos falsos abrigos

Que prometem renovados genomas e o afastamento de perigos

 

Transporta-me o espírito da liberdade para outro espaço

Luminoso de paz perpétua sulcando campinas verdejantes

Pelas margens de rios selvagens entre prados viçosos

Chão firme de flores silvestres desmaiando no flutuar da leve brisa

Respirando o odor alado de sopros perfumantes

No seu dorso sustém a delicadeza

E a força incomensurável do feminino

Será sonho persistência coragem ou um novo hino

 

Páxina 51